Páginas

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Prelúdio da Solidão



''Se um passarinho for bicar teu sono saibas que sou eu

Sou eu a aurora boreal pousando em teus trigais

E se uma estrela incandescesse no breu dos teus breus

Hás de saber então das trevas que me são mortais

Hei de ver Carmem então como o mais reles dos plebeus

Para dizer-te então que o meu amor é tão ateu e herege como os fariseus

Que um dia Cristo expulsou do templo sem lhes dar perdão

Chicoteando, escorraçando aqueles vendilhões

E eu me sinto tal e qual um torpe, vil pagão

Que nem provou da hóstia e o vinho em santa comunhão

Mas que roubou sem dó as cordas do teu coração

E encordoou com elas sua enorme solidão''

(H. Belo de Carvalho)


Nenhum comentário:

Postar um comentário